ODONTOLOGIA

Curativo nos dentes

Atitudes corretas que ajudam em cada fase da recuperação.

Aquela massa branca com gosto de cravo que os dentistas colocam nos dentes dos pacientes faz parte de um procedimento muito comum e que precisa de ser bem compreendido. Enquanto alguns pacientes acham que o dentista está a atrasar o tratamento, outros chegam a pensar que o curativo é definitivo e, às vezes, já nem voltam.
O gosto estranho deve-se ao eugenol, um óleo de cravo que é um poderoso antissético, analgésico e responsável pelo "cheiro a dentista", marca registada dos consultórios odontológicos. Esse líquido misturado ao pó de óxido de zinco forma um "cimento", que é a composição básica dos curativos mais comuns. Além de ser um ótimo isolante térmico, as suas propriedades bactericidas, antivirais e analgésicas tornam-no num material muito útil à odontologia como revestimento para restaurações ou restaurações provisórias.
Existem várias situações em que o curativo é recomendado:
1. Como base antes de restaurações, substituindo a dentina perdida pela cárie. O curativo é colocado numa sessão e, na sessão seguinte, cerca de metade é removida para se colocar a restauração. O restante fica por baixo dela, evitando que o dente fique sensível.
2. Quando uma restauração ou cárie está muito profunda e próxima da polpa do dente, colocamos um curativo de espera, cujo nome já diz muito, pois a intenção é curar e desinfetar a dentina, a camada que protege o nervo do dente, evitando a sensibilidade e prevenindo um tratamento de canal. Quando o dente está dolorido e sensível, esse curativo fica por volta de 40 dias, até que se veja uma reação positiva da dentina em proteger o local afetado, formando uma nova camada de dentina mais impermeável no local. Só então se faz a restauração definitiva, ou, se o dente não responder positivamente, o tratamento de canal é recomendado antes da restauração.
3. Ao remover o tecido cariado, a gengiva, que muitas vezes cresce para dentro da cavidade da cárie, fica a sangrar, o que impossibilita a realização de uma boa restauração. Nesse caso, o curativo vai ajudar na hemostasia (paragem do sangramento) e manter a gengiva longe da área a ser trabalhada. Após alguns dias, ele já pode ser removido e a gengiva estará cicatrizada e sem sangramento, permitindo a realização da restauração com mais tranquilidade.
4. Quando se faz o tratamento de canal, e alguma medicação precisa de ser deixada dentro dele, a abertura é vedada com o curativo para que não haja entrada de resíduos alimentares até à sessão seguinte.
É sempre muito importante obedecer à prescrição do dentista quanto ao tempo em que o curativo pode ficar no dente, o que vai depender da medicação utilizada e da situação do dente, podendo variar de um a trinta dias. Ficar mais tempo do que o necessário, ou abandonar o tratamento, mantendo o algodão dentro do dente, é causa comum da perda de um dente que poderia ser salvo simplesmente com um tratamento adequado de canal.

Lisany Manfrim Contrera
Médica-dentista