EDITORIAL

Natal: Exemplar Expressão de Amor

Fala-se muito hoje das quatro forças físicas fundamentais que governam o Universo conhecido – a gravitação, o eletromagnetismo, as interações nucleares fortes e as interações nucleares fracas. Com base nessas forças fundamentais, a física contemporânea tem procurado estabelecer uma unificação que leve a relacionar descobertas do campo subatómico com as do campo cosmológico, de maneira a esclarecer a origem do Universo e as leis e constantes que governam a sua evolução. Todavia, por maravilhosas que sejam essas poderosas forças do mundo físico, existe, no mundo moral, uma força ainda mais dinâmica e não menos maravilhosa – a força do amor em função do serviço abnegado. Deus, como Criador do Universo, possui, em potência, todas as modalidades de forças físicas acima referidas. Todavia, ninguém, que saibamos, jamais identificou Deus com a gravitação, o eletromagnetismo ou a energia nuclear. No entanto, é com o amor que Ele tem sido identificado. Com efeito, no dizer do apóstolo São João, “Deus é amor”. As expressões do amor divino são infinitas, mas esse amor encontra, sem dúvida, a sua expressão suprema precisamente no acontecimento que, no final de cada ano, comemoramos – o Natal. A incarnação do Verbo de Deus, que levou o Criador a solidarizar-Se e a identificar-Se com a Humanidade incapaz, sozinha, de recuperar a imortalidade perdida, e virtualmente a reintegrou na família divina, é um mistério que transcende a capacidade de compreensão da mente humana – tão limitada, tão egoísta, tão agnóstica perante realidades transcendentes.
Ainda hoje, decorridos quase vinte séculos, as vibrações desse poderoso amor repercutem-se na vida de cada um de nós. Nas horas silenciosas da noite, na fruição das mil e uma bênçãos do dia, nos momentos de intuitiva revelação da verdade, todos sentimos que, de alguma maneira, somos objeto desse amor. Mas o amor de que somos objeto constitui um exemplo e um estímulo para que nós mesmos transmitamos ao próximo o amor, de divina inspiração, de que ele tanto carece. Vivemos num mundo frio, mergulhado no mais denso materialismo, em que o sofrimento dos famintos, desalojados, doentes, marginalizados, socialmente incompreendidos não encontra o menor eco. Que a mensagem do Natal nos ajude a avivar no coração a chama da mais poderosa força do mundo – o amor traduzido em serviço.

Ernesto Ferreira

O professor e escritor Ernesto Ferreira (1913 – 2012) foi um amigo e colaborador próximo da Publicadora SerVir e da revista Saúde & Lar. Para além de todos os textos publicados, deixou uma série de escritos inéditos para publicação póstuma. Não podíamos deixar de partilhar com os nossos prezados leitores este presente de Natal que nos legou.

A Redação